I braced myself…

…and winter never left.

Encontrei agora um poema que eu fiz (o único decente já escrito por mim, aliás) que pensei estar perdido. Deu trabalho reecontrá-lo, e por isso, eu o postarei. Ele é em homenagem à minha querida Marília Leão – com quem, coincidentemente, eu estava conversando há pouquíssimo tempo. Fale-me sobre coincidências…

“Intermezzo”

Depois que foste embora

Meus lençóis machucam.
Minha maquiagem machuca.
Meu espelho machuca.
Minhas músicas machucam demais.
Meus livros machucam.
Minhas lágrimas machucam muito,
e meus sorrisos, mais ainda.
O banco de passageiro do meu carro machuca.
Meus cigarros machucam. Horrores.
Minhas taças de vinho vazias, nem se fala.
Minha casa, minha cama e minha janela machucam.
Minha mente machuca tanto que não me deixa dormir.
A lua machuca.
O sol machuca.
As nuvens machucam
e a chuva também.
Até a previsão do tempo machuca.
O cinema, o restaurante e a porta de entrada de casa machucam.
A brisa noturna da praia parece um furacão gélido, de tanto que machuca.
Mas o que mais machuca
é que, por mais que me machucasses,

tu eras também a cura.
E agora, tudo que tenho de ti
são cartas manchadas com marcas aquosas,
que machucam mais do que corte fininho de papel,
lembranças embaralhadas e misturadas com sonhos,
que me fazem preferir nunca mais lembrar nada,
e um cheiro insistente de cítrico amadeirado,
que machuca minha alma por, simplesmente,
eu jamais querer que

saia

de mim.

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