Back at last

It is not easy being a girl wanting to somehow enter the game industry.

I don’t have a body to offer, my body is not for sale nor rent. Neither is my sexuality or any hint I could possibly tip you that you will, even in a non-foreseeable future, even in your dreams, get into my pants. (Who would want that anyway? No one is that crazy.)

I don’t code. I don’t design.

I’m not famous at all.

I think a lot about sounds and I sometimes design them, but I don’t do that professionally.

I have no free time to play a whole lot of games and make some criticism about them. I have a sick mother, no father to back me up, and I need to pay my bills.

At the present moment, all I have are my words. And my thoughts.

Here is the place where I post them.

This place is long forgotten, though, and I have a lot in my mind. I can’t guarantee my posting will be frequent. All I can guarantee is that it’s going to be sincere like it is now.

This post is pointless and I feel like crying. I’m speaking with no one but myself.

I braced myself…

…and winter never left.

Encontrei agora um poema que eu fiz (o único decente já escrito por mim, aliás) que pensei estar perdido. Deu trabalho reecontrá-lo, e por isso, eu o postarei. Ele é em homenagem à minha querida Marília Leão – com quem, coincidentemente, eu estava conversando há pouquíssimo tempo. Fale-me sobre coincidências…

“Intermezzo”

Depois que foste embora

Meus lençóis machucam.
Minha maquiagem machuca.
Meu espelho machuca.
Minhas músicas machucam demais.
Meus livros machucam.
Minhas lágrimas machucam muito,
e meus sorrisos, mais ainda.
O banco de passageiro do meu carro machuca.
Meus cigarros machucam. Horrores.
Minhas taças de vinho vazias, nem se fala.
Minha casa, minha cama e minha janela machucam.
Minha mente machuca tanto que não me deixa dormir.
A lua machuca.
O sol machuca.
As nuvens machucam
e a chuva também.
Até a previsão do tempo machuca.
O cinema, o restaurante e a porta de entrada de casa machucam.
A brisa noturna da praia parece um furacão gélido, de tanto que machuca.
Mas o que mais machuca
é que, por mais que me machucasses,

tu eras também a cura.
E agora, tudo que tenho de ti
são cartas manchadas com marcas aquosas,
que machucam mais do que corte fininho de papel,
lembranças embaralhadas e misturadas com sonhos,
que me fazem preferir nunca mais lembrar nada,
e um cheiro insistente de cítrico amadeirado,
que machuca minha alma por, simplesmente,
eu jamais querer que

saia

de mim.

It’s all about the winters…

…and the wisdom they always bring.

Depois de mais 37 anos sem postar, quis deixar muito bem registradas as palavras de sabedoria destes dias demoníacos de 2012.

“Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
– Respire.

– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.”

Como um amigo disse… mais cedo ou mais tarde, aprendemos que a única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Um minuto de silêncio por toda a vida que podia ter sido e não foi – e, possivelmente, nunca será – , por favor.

Impressões sobre “Os sofrimentos do jovem Werther”

Um jovem que se mata por amor não-consumado com sua amada.
Esse plot parece clichê? Um dia ele foi inovador. E essa inovação nasceu com o livro que trouxe o nascimento do próprio Romantismo na literatura: “Os sofrimentos do jovem Werther”.

Eu poderia escrever aqui sobre como o Werther é o pior caso de friendzone da história da humanidade (não, não é o Snape…), como ele deve ter sido a inspiração do movimento emo, o quanto é patético que uma pessoa se suicide por um amor não-correspondido… mas eu vou me limitar a falar sobre a posição de cada lado da história.

Ponho-me no lugar de Alberto. Deve ter sido complicado conviver por mais de um ano com um rapaz que ele sabia que amava a sua noiva (depois esposa). Ele tentou ser gentil o quanto pôde, até o sentimento de Werther ficar tão claro que passou tudo a ser constrangedor. Ainda assim, ele tentou lidar com tudo muito dignamente, e bem que conseguiu, embora a frieza tenha tomado conta dele com o passar do tempo (e quem conseguiria fugir a ela nessa situação?).

Ponho-me no lugar de Carlota. Um amigo tão querido, com tantas coisas em comum, mas que é um garoto chorão. Sim, porque Werther, no fim das contas, não passa de um adolescente chorão. Daqui a pouco eu falo mais sobre ele, mas no olhar de Carlota, como amar um homem – como homem e não como amigo – que não passava o mínimo de segurança e estabilidade? Sim, ele podia ser sensível, culto, amoroso e dedicado, mas aparentemente ele era tudo isso… demais. Ele parecia um turbilhão ambulante de emoções, e ter que conviver e dividir a cama com isso seria, no mínimo, complicado. Cada impaciência ou resposta atravessada dela viraria uma baforada do inferno pra ele. Não dava, por mais que, no fundo, ela o amasse e o quisesse pra si. Fora que a responsabilidade de carregar nas costas a (in)felicidade e plenitude de outra pessoa é desumanamente pesada. Não é justo fazer isso com ninguém. Ao mesmo tempo, ela lentamente e sutilmente alimentava o desejo dele, talvez até por essa necessidade humana e mesquinha que temos de atenção, coisa que ele lhe dava de muito bom grado e felicidade.

Por fim, ponho-me no lugar de Werther. As palavras que vieram à minha mente depois de terminar o livro eram “coitado”, “pobre Werther” e assim por diante. Porque é isso que ele é: um coitado. Um cara que entrou de cabeça numa paixão que ele sabia ser impossível, mas que ainda assim a viveu, alimentou e, por fim, deixou-se por ela ser consumido. Ele estragou – em termos – a vida de Carlota, a vida de Alberto, a vida dos dois como casal e a vida dele mesmo. Por fim, acabou sem nada. Pobre Werther, pobre Werther. Mas quem nunca alimentou um sentimento que sabia ser inconveniente? Que sabia que não seria correspondido? Que sabia que o faria sofrer? Acho que todos em alguma medida. Porque por mais sofrimento que esse sentimento nos traga, ele também nos ajuda a nos sentirmos vivos. O irônico é que esse sentimento que trazia o sentimento de estar vivo para Werther, que queimava e ardia dentro dele, acabou queimando tudo tanto dentro quanto fora dele.

É difícil hoje lermos Werther sem um olhar puramente de pena, pra não dizer o mínimo. É possível que vários leitores riam da história, que se cansem, que percam a paciência. Mas é como o própri Werther diz (não exatamente nessas palavras): Deus te livre de rir de algo assim! Pois se a nossa sensibilidade pós-moderna não nos permite enxergar a dor e a ternura dessa história, é puramente porque ela está embotada por uma visão de mundo que parte do princípio de que pessoas são objetos descartáveis, bem como sentimentos.

Quem nunca molhou o travesseiro e em algum momento sentiu que quase morreria por amor, que atire a primeira pedra.

Um pouco mais do mesmo

Então, pessoas, eu fiquei matutando alguns dias sobre o assunto do post anterior, refletindo sobre aquilo, e decidi fazer um vídeo. O resultado você vê aqui.

Reflitam, comentem, concordem, discordem… debatam comigo! :)

Ah, trolls are not welcome…

Depois de um longo e tenebroso inverno…

…(e põe longo nisso), aqui estou novamente.

Este blog passou por algumas reformulações depois de uma crise de identidade minha. É exatamente sobre o tema dessa crise que falarei neste post: a atual imposição de ser nerd. Parece exagero, não é? Bem, talvez “imposição” seja exagero, mesmo, mas vamos refletir sobre o assunto.

Alguns anos atrás, era feio ser nerd. O imaginário que se tinha sobre o termo era aquele cara com expressão debiloide, óculos de fundo-de-garrafa, calça de cintura alta e com a bainha curta, de cabelinho partido ao meio ou de lado. Essa imagem foi mudando, mudando, mudando… as mulheres foram conquistando um espaço nesse universo… e hoje, o que temos é uma rotação de 180 graus: é bonito ser nerd. É in, é cult, é indie, é o raio que o parta valorizado. Até no Big Bosta Brother Brasil tem uma nerd assumida e assim alcunhada pela produção! Claro, então, que dentro da beleza de ser nerd, tem espaço sobrando pra beleza de ser gamer e pra beleza de ser geek.

Eu jogo desde os 5 anos, mas se você for considerar jogar em termos de saber o que se está fazendo, jogo desde os 9. Comecei com Doom II, Raptor e Prince of Persia (não o velhão, embora já o tivesse terminado antes – ah, a maldita batalha contra o espelho…). Aos 11, veio o meu primeiro RPG: Final Fantasy IV, que me levou a uma paixonite incurável. A partir daí, a coisa progrediu, e muitos outros jogos vieram, em frequência continuamente variável. Além disso, meu interesse por biologia e química (a primeira faculdade em que eu entrei foi Ciências Biológicas) sempre me levaram a procurar saber mais tanto sobre esses assuntos quanto sobre outros mais ou menos correlatos, como astronomia, biofísica etc. Consequentemente, séries como The Big Bang Theory e House, e filmes como O Guia do Mochileiro das Galáxias chamaram a minha atenção. Quando percebi que o univerno estava se abrindo a manifestações femininas nesse meio nerd, amei e quis me inserir nisso.

Até aí, tudo ótimo, tudo lindo! Show.

Só que eu comecei a perceber o hype que estava se dando a isso. Ser nerd passou a ter status, e ser mulher e nerd virou o paraíso, especialmente se sua beleza lhe impedisse de ser um espantalho contra mosquitos no papel de parede de um computador. De primeira, eu pensei “Pô, legal… valorização é importante, é isso aí”, mas com o tempo, aquilo passou a me incomodar. Vim ignorando tudo isso como pude até, precisamente, hoje. Tive vontade de reavivar esse blog, mas me deu uma preguiça imensa de escrever ao lembrar que o foco dele era só sobre games. Cara, eu sou gamer há 15 anos… acho que isso prova que eu gosto, sim, de jogos. Mas eu gosto de tantas outras coisas também! E em meio a um mar de meninas piriguetando forçando a barra pra passar a imagem de “Ui, sou gostosa e sou gamer/geek, idolatrem-me!”, essa preguiça nasceu. Eu não quero que gostem de mim porque meu avatar sou eu segurando um joystick, ou porque eu jogo Counter-Strike enquanto emito sons fofos com uma voz fininha. Não me entendam mal, contudo! Eu não estou dizendo que todas as meninas que fazem coisas assim só querem chamar a atenção! Tenho amigas que têm suas fotos com controles de video game e que são autenticamente assim. Além disso, com certeza há meninas que comem, bebem e respiram jogos. Contudo, essa não sou eu. Simplesmente. Ser monotemática me dá náuseas. Ter só um tema me deixa de barriga, pulmões e coração vazios.

Tem outro fator, também. Algumas das meninas que seguem essa linha trabalham com jogos (tá que eu não fico falando SÓ de literatura e linguística, mas…). Elas são designers, programadoras, sei lá, qualquer-coisa-assim. (Ainda assim, eu acho que não precisava dessa pose  “gostosa/fofa-e-gamer/geek”, mas vá lá que seja, é o ganha-pão delas). Só que esse claramente não é o meu caso! Mal sei fazer bonequinhos de stick à mão, quanto mais no photoshop ou outro programa. Como designer, sou uma ótima juíza de futebol. Não descarto a possibilidade de analisar a narrativa de jogos academicamente um dia, mas… é academicamente. Certamente posso dispensar a piriguetagem pose.

É por tudo isso que eu decidi mudar o foco desse blog. Eu sou nerd? SIM! Sou gamer? SIM! Sou geek? Mais ou menos, acho que teria que saber mais de matemática/programação/robótica/dafuq pra isso. Tenho orgulho disso? SIM! Mas quero transformar isso numa bandeira? DEFINITIVAMENTE NÃO! Se é pra chamar a atenção, que seja porque escrevo coisas legais, porque minha pesquisa na faculdade deu resultado, porque conversar comigo enriquece meu interlocutor de algum jeito, sejá lá o que for. E não porque eu tenho peitos e sei o que é WASD.

De poser o mundo já tá cheio.

Review #1

Primeiro post com “conteúdo”, efetivamente :) Hoje eu decidi falar sobre um jogo que chamou bastante minha atenção, e que estou jogando e tentando terminar: Braid!

Braid é um jogo independente, cujo criador chama-se Jonathan Blow, que foi lançado inicialmente para o Xbox (2008), e posteriormente para PC e Mac (2009). Primeira vez que o vi foi na casa do Arthur Protasio. Ele me mostrou o jogo no Xbox, e eu achei uma coisa LINDA. A história é interessante, e essa história é que deu ensejo a um fato inusitado que o norteia: em Braid, você não morre. Você pode voltar no tempo sempre que quiser, seja porque morreu, porque fez algo que não queria ter feito… ou até em partes que o jogo exige, por uma determinada situação, que você retroceda. Só isso já tinha me chamado atenção o suficiente, mas além desse fato, a arte é muito bem-feita e suave, e a trilha sonora é belíssima. Como eu não tenho Xbox, fiquei choramingando internamente porque não podia jogá-lo em casa… até descobrir que ele existe pra PC, e está disponível no Steam! Daí, o Arthur me deu o jogo de presente (logo depois de eu dar VVVVVV a ele – hahaha! – , mas esse é assunto para outro post xD), e eu fui jogar, feliz da vida!

Sobre o jogo em si: Braid é composto por puzzles. A capacidade de voltar no tempo te joga em diversas situações, nas quais você tem que usar a cuca pra se sair. O objetivo de cada fase é juntar as peças do quebra-cabeça daquele mundo, e essa atividade não é mole MESMO! Jogos de puzzle nunca foram minha especialidade, então tô apanhando um bocado pra avançar, hehe. Mas é tão lindo e enigmático que vale a pena…

Explicando o “enigmático”: tudo que você consegue depreender da história é que o protagonista, Tim, tinha uma amada, mas que, por algum motivo, eles começaram a se desentender, e Tim sai em busca d’A Princesa. Uma das primeiras perguntas que o game lança é se deveríamos ser castigados por uma lição que efetivamente aprendemos, ou se não seria mais justo que pudéssemos, assim, consertar nossos erros. É a partir dessa premissa que se qualifica o retrocesso no tempo: você pode consertar seus “erros” durante o jogo.

Contudo, à medida que você avança, o enredo vai ficando cada vez mais truncado. Os relatos sobre os sentimentos entre Tim e a amada (que, a uma certa altura, já não parece mais ser tão amada assim…) vão ficando mais intimistas, e o distanciamento entre ambos, mais claro. Mas não vou me estender, ou estarei dando spoilers! Basta dizer que estou confusa. xD Há várias interpretações sobre a história, inclusive de que ela trata do desenvolvimento da bomba atômica (!!!), segundo a Wikipedia. Admito que não vou por essa linha, e a acho meio doidona. :P Mas que o enredo vai ficando confuso… vai. O que não tira, na minha opinião, a beleza da trama.

No momento, estou no último mundo, e espero terminar Braid dentro em breve. Tem sido uma experiência muito peculiar jogá-lo, porque apesar da sua dinâmica ser comum (o personagem corre, pula, mata monstrinhos, etc), o conjunto da obra é muito sui generis. Além de tudo que já falei sobre a história, a arte de Braid é delicada e original. Tudo passa a impressão de ter sido pintado à mão (pergunto-me se não foi…), desde o cenário até o próprio Tim. E a trilha sonora é muito, mas muito bonita, e extremamente inspiradora. Esse conjunto todo me cativou, e tornou Braid um jogo hiper especial pra mim.

Por hoje é só, pessoal! ;)

(Ah, todos os screenshots são do meu próprio jogo ^^)